NEGOCIAÇÕES COLETIVAS 2020


O SINDCON-MG já encaminhou as pautas de reivindicações aos sindicatos patronais das administradoras de consórcios (SINAC) e dos concessionários de veículos (SINCODIV-MG), visando a celebração das novas Convenções Coletivas de Trabalho, reajuste das cláusulas econômicas e melhoria nas condições de trabalho para a categoria.

Incentivo fiscal faz venda de carros seminovos ser principal receita de locadoras


Empresas também se beneficiam de descontos para compras de carros em grandes quantidades.

As três maiores locadoras de veículos do país –Localiza, Unidas e Movida– faturam mais com a revenda de seminovos do que com a locação de veículos. A receita dessas vendas varia de 51% a 60% do faturamento bruto dessas empresas, segundo os balanços da companhia referentes a 2019.

O setor é o principal cliente da venda direta, na qual empresas em geral e outros públicos (como pessoas com deficiência e taxistas) podem comprar carros diretamente das montadoras, com benefícios fiscais como alíquotas mais baixas de ICMS e IPI.

As locadoras também se beneficiam de descontos que conseguem das montadoras devido às compras em grandes quantidades. Como colocam o carro à venda no setor de usados a preço de mercado, conseguem obter margens de lucro maiores que os demais revendedores.

"Conseguem descontos de 15%, ou até mais, em modelos novos que têm vendas mais fracas no varejo. Esses carros rodam na locadora por um tempo e depois são vendidos ao consumidor final ou a concessionárias se a atratividade do carro é menor", diz Milad Kalume, gerente de desenvolvimento da consultoria Jato.

A modalidade da venda direta cresce de modo constante desde o início da crise econômica e tem como maiores clientes as locadoras de veículos, na esteira da procura por motoristas de aplicativos. Em 2019, representava 45,7% dos emplacamentos no país.

O setor, segundo a Abla (associação das locadoras), é responsável por 20% das compras de carros novos no país –44% de todas as vendas diretas.

Participação da venda direta nos emplacamentos em 2019

As três maiores locadoras responderam por 14,88% de todos emplacamentos de 2019, segundo a Fenabrave (federação das distribuidoras). Juntas, compraram 288 mil veículos.

Segundo o advogado tributarista Rodrigo Prado Gonçalves, sócio do escritório Felsberg, as locadoras não recolhem o ICMS na revenda dos carros por se tratar de ativo imobilizado, sobre o qual não há a incidência desse imposto.

Os incentivos fiscais que beneficiam o setor, porém, têm sido alvo de reclamações. A Fenabrave afirma que as locadoras vendem os usados a preços mais baixos graças aos descontos que têm, o que pressiona as margens do setor como um todo.

"Também compramos na fonte, mas pagamos ICMS [na revenda]. Locadoras, quando vendem, são isentas. É uma assimetria", diz Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave.

As discussões chegaram ao Congresso. Há um projeto de lei do deputado Mario Heringer (PTD-MG) para ampliar o tempo que a locadora deve ficar com o carro antes de poder revendê-lo sem perder o benefício fiscal dos atuais 12 meses para 24 meses.

Essa regra, diz Luca Salvoni, tributarista sócio do Cascione, não é exclusiva de locadoras e pode ser aproveitada por empresas em geral.

Na prática, diz o deputado Heringer, não há controle sobre o prazo mínimo para revenda. "Virou uma bagunça, até porque não existe lei que restrinja, é um acordo. E quem cumpre acordo no Brasil?", diz.

O deputado usa dados da Fenabrave que apontam que só com o IPI menor para venda direta a União deixou de arrecadar cerca de R$ 2,4 bilhões em 2019 para defender o projeto.

A federação, porém, é contra o projeto de Heringer e defende a manutenção do prazo mínimo de vendas em 12 meses. "O que defendemos é uma fiscalização dos estados para que esse prazo [de 12 meses] seja cumprido. Há empresas que não respeitam esse tempo mínimo", afirma Alarico.

São Paulo, Minas Gerais e Paraná, que concentram sedes ou grande parte das operações das principais locadoras, afirmam cobrar 12% de ICMS na venda direta de veículos.

O Paraná, entretanto, afirma que não houve fiscalização nesse setor em 2019. A Secretaria da Fazenda de São Paulo afirmou que fiscaliza as empresas do setor para verificar as operações de revenda.

Já a Receita Estadual de Minas Gerais diz manter o contínuo monitoramento e autuar quando há irregularidade.

"A operação Cadastro Único, em setembro, autuou oito locadoras nas quais havia indícios de venda dos veículos por meio de 'contratos de gaveta'", disse o órgão em nota.

A Abla (associação das locadoras) diz que as locadoras precisam vender seus carros usados para renovar seus ativos e que essa venda é feita pela tabela Fipe.

"A venda de veículos para renovação de frota tende a superar o valor de faturamento com locação na medida em que, na venda do veículo, é recebido o valor integral do bem, e na locação é recebida somente uma fração do valor", diz a associação.

Especialistas, no entanto, afirmam que, como o resultado da venda de seminovos já passa da metade do faturamento das locadoras, seria necessário uma revisão do modelo de negócio e das isenções às quais o setor tem acesso.

Maiores locadoras

A Localiza, maior empresa do setor, questiona no Supremo Tribunal Federal o prazo de 12 meses para revenda. Pede para poder comercializar os carros antes disso sem pagar o tributo.

"O argumento é que o convênio é inconstitucional, pois bens do ativo imobilizado não são [considerados] mercadorias", afirma o advogado Rodrigo Prado Gonçalves.

O atual secretário Especial de Desestatização do governo Bolsonaro, Salim Mattar, é um dos sócios da Localiza. Seu irmão, Eugenio Mattar, é o atual diretor-executivo da companhia. Sua família detém 10,83% das ações.

A idade média dos veículos nas locadoras gira em torno de 17 meses, segundo a Abla, que justifica a troca de frota pela busca, por parte dos usuários, de veículos com mais tecnologia e menos consumo.

A Associação Nacional de Empresas de Aluguel de Veículos disse que o projeto do deputado Mário Heringer (PDT-MG) causaria impactos "negativos e profundos na indústria automotiva" porque reduziria a troca das frotas, causando redução no ritmo de produção e vendas das montadoras e, por consequência, demissão de trabalhadores".

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/01/venda-de-carros-e-maior-negocio-de-locadoras.shtml

Pesquisa mostra crescimento superior a 35% em participantes ativos do consórcio de serviços em 2019


Diversidade e flexibilidade, aliadas a custo baixo, prazos mais longos e poder de compra, contribuíram para o sucesso da modalidade.

Total de consorciados aumenta quase de 225% em cinco anos. 

Pesquisa feita pela assessoria econômica da ABAC Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, baseada em dados fornecidos pelas administradoras que atuam no consórcio de serviços, registrou crescimento de 36,2% no total de participantes ativos de 2019 sobre os de 2018, alcançando 105,6 mil consorciados em dezembro. 

Nos últimos cinco anos, os volumes anotados aumentaram 224,9%, saltando de 32,5 mil em 2015 para 105,6 mil em 2019.


Com média mensal de 5,85 mil adesões, totalizando 70,2 mil vendas de novas cotas e negócios acima dos R$ 650 milhões em 2019, a modalidade tem sido uma das mais procuradas pelos consumidores no Sistema de Consórcios. 

Presente no mercado desde fevereiro de 2009, quando da entrada em vigor da Lei 11.795/08, o consórcio de serviços de qualquer natureza tem como uma de suas principais características os múltiplos usos que os consorciados têm feito quando das contemplações. 

De um pequeno projeto de instalação hidráulica ou elétrica, comuns nos lares brasileiros, até pequenas reformas ou ampliações residenciais, passando por realização de festas ou eventos, procedimentos médicos na área da saúde, viagens a turismo ou a negócios, além de cursos no país ou exterior, entre outros, o consórcio de serviços mostrou, em recente levantamento, que a ampla diversidade de necessidades do brasileiro pode ser solucionada de forma simples, econômica e objetiva.  

"Ao considerar que o consumidor brasileiro está cada vez mais atento às suas finanças pessoais, familiares e até empresariais, o conhecimento sobre as peculiaridades do Sistema de Consórcios o tem levado a optar pela modalidade em muitas oportunidades, comprovando que seus diferenciais são mais vantajosos que outros meios de parcelamento disponíveis no mercado financeiro e mais adequados aos orçamentos", esclareceu Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da ABAC. 

Ao verificar a destinação dos créditos no último ano, é possível constatar a flexibilidade e compreender o sucesso obtido. No período, os serviços Residenciais, como pequenas reformas, serviços de hidráulica e eletricidade, decoração, ajardinamentos, pintura, responderam por 52%.  

Na sequência, ficaram Festas e Eventos, como formaturas e aniversários, com 5%; Saúde e Estética, como cirurgias reparadoras, entre outras, com 4%; Turismo, como viagens e passeios; Educação, como cursos de graduação, pós e MBA; e os Odontológicos, com 2% cada. Houve ainda os oftalmológicos com 1%. Em razão da grande diversidade de aplicações, 32% foram classificados em "Outros", como por exemplo, blindagem e instalação de ar condicionado em caminhões frigoríficos.


"Uma das razões determinantes para o incremento do consórcio de serviços tem sido o crescente conhecimento sobre Educação Financeira, com consequente adoção de novos hábitos do consumidor como priorizar o planejamento de suas finanças, considerar os limites de capacidade para assumir novos compromissos financeiros ou, evitar as chamadas compras por impulso", explicou Rossi. 

"Os constantes avanços, ano após ano desde 2009, são decorrentes dos custos finais mais baixos e adequados, parcelas mais acessíveis, prazos mais longos, manutenção do poder de compra e ampla liberdade na utilização dos créditos em um ou mais objetivos pessoais, familiares ou até empresariais após a contemplação", completou. 

HOMENS SÃO MAIORIA 

A pesquisa, em seu cômputo final, revelou que do total de participantes 98% são pessoas físicas, sendo 63% de homens e 37% de mulheres. Os restantes 2% são pessoas jurídicas. 

O resultado obtido junto às administradoras associadas presentes no setor, anotou que, nos grupos em andamento, o prazo médio ficou em 51 meses e o valor médio dos créditos esteve em R$ 16,25 mil. As cotas comercializadas variaram do mínimo de R$ 3,5 mil ao máximo de R$ 72 mil.  

A taxa média mensal de administração exercida ficou em 0,411% ao mês. Os índices de correção, praticados nos contratos e que proporcionam o poder de compra do consorciado por ocasião da contemplação, foram: IGPM, com 60%; IPCA, com 20%, e INPC, com 20%.  

QUADRO RESUMO 


Fonte: https://www.abac.org.br/imprensa/press-releases-detalhe&id=286

Confiança do comércio sobe em janeiro e atinge maior nível desde fevereiro de 2019


Para pesquisador, indicador mostra que cenário de recuperação gradual persiste, mais ainda dependente de sinais mais fortes do mercado de trabalho e da confiança dos consumidores.

A confiança do comércio aumentou entre dezembro e janeiro, segundo divulgou nesta segunda-feira (27) a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Comércio (Icom) subiu 1,3 ponto e passou de 96,8 para 98,1 pontos, maior nível desde fevereiro de 2019 (99,8 pontos).

Em médias móveis trimestrais, no entanto, o índice variou 0,2 ponto, se mantendo relativamente estável nos últimos meses.

A confiança subiu em 4 dos 6 segmentos do comércio em janeiro, influenciada principalmente pela melhora do Índice de Expectativas (IE-COM), que subiu 3,8 pontos, ao passar de 100,6 para 104,4, maior nível desde março de 2019 (104,7) e oitavo resultado seguido acima dos 100 pontos. Já o Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 1,1 ponto, saindo de 93,0 para 91,9 pontos

“2020 inicia com alta da confiança do comércio influenciada pela melhora das expectativas que voltaram a subir depois de um período de espera dos empresários no final do ano passado. Por outro lado, os indicadores de situação atual que vinham apresentando resultados mais positivos no final de 2019, recuaram em janeiro. Essa combinação de resultados mostra que o cenário de recuperação gradual persiste, ainda dependente de sinais mais fortes do mercado de trabalho e da confiança dos consumidores “, avalia Rodolpho Tobler, Coordenador da Sondagem do Comércio da FGV IBRE.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2020/01/27/confianca-do-comercio-sobe-em-janeiro-e-atinge-maior-nivel-desde-fevereiro-de-2019.ghtml