O mercado automotivo se prepara para nova guerra de preços














 Os expressivos avanços conquistados em produção, vendas e


exportações de veículos em 2026 parecem não ter animado o setor como

deveriam.


Balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores

(Anfavea) divulgado no início do mês revela que, entre janeiro e julho, a

produção nacional subiu 8,3%, o que coloca o Brasil na segunda posição

em crescimento entre os países produtores, atras apenas da Índia, que

avançou 14,5%.


. O que ver (e pilotar) no Festival Interlagos, que encerra amanha

. Resgatada da crise, empresa fara 1a mina subterranea de níquel do

Brasil com R$ 3,3 bi

. Terceira onda chinesa acirra disputa no mercado automotivo e na

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Ainda de acordo com os numeros da representante dos fabricantes de

veículos, foram 279,5 mil unidades emplacadas em julho. Maior volume do

ano, corresponde a um incremento de 2,6% sobre o mês anterior e de 14,9%

ante julho de 2025. Contabilizando-se os sete meses do ano, ja são mais

de 1,7 milhão de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus

comercializados - montante 17,9% superior ao do mesmo período de 2025.


Embora no acumulado anual tenha havido um recuo de 20,8%, as vendas

externas somaram 39,3 mil unidades em julho, ou 6,8% a mais do que se

exportou em junho.


Se continuar assim, o mercado nacional de veículos pode ultrapassar a

marca de 3 milhões de unidades vendidas pela primeira vez desde 2014,

prevê a Anfavea.


Importados e estoques


O que tem incomodado as fabricantes nacionais é o desembarque de

344,1 mil veículos importados no País, volume 25,7% superior às

importações nos primeiros sete meses de 2025.


'Esse volume de quase 350 mil é maior do que a produção no período da

maioria das fábricas das nossas associadas, o que indica que poderíamos

estar gerando mais demanda para nossas fabricas e fornecedores e, por

tabela, mais empregos", reflete o presidente da Anfavea, Igor Calvet.


De acordo com a Anfavea, os eletrificados tiveram participação recorde

de 23,5% em julho; há um ano, elétricos e híbridos somados não

chegavam a 11% das vendas. No acumulado do ano, o crescimento é de

120,8%.


Somente a China despachou 105,4% veículos a mais para o Brasil,

entupindo os estoques: das 572 mil unidades acumuladas em junho, 409

mil correspondiam a importados, sobretudo chineses; no mês passado, o

volume caiu para 522 mil no total, sendo 360 mil de veículos vindos de

fora.


Entre janeiro e junho de 2025, os emplacamentos de carros chineses

somaram 71 mil unidades. A estratégia comercial agressiva de empresas

como a BYD e a chegada de novas marcas elevaram em 98,5% as vendas

de carros vindos da China, somando 140,8 mil veículos entre janeiro e

junho de 2026.


Recentemente, a Camara de Comercio Exterior (Camex) decidiu renovar

as cotas de importação para veículos eletrificados desmontados e

semidesmontados, dando mais seis meses de fôlego para as fabricantes

que ainda estão montando sua estrutura industrial no Brasil.


"Os estoques elevados precisam ser analisados dentro do contexto dos

últimos meses. Havia um cronograma conhecido de recomposicão do

Imposto de Importação, que levou a alíquota dos veículos montados e

também dos SKD a 35% a partir de 1° de julho. Isso criou um incentivo para

antecipação de volumes antes da mudança tributaria. Ao mesmo tempo,

as marcas chinesas vem ampliando de forma bastante rapida sua

presença no Brasil, com crescimento relevante das importações e do

portfólio disponível", explica Murilo Briganti, COO da Bright Consulting.


É bom ou ruim?


"Essa combinação de antecipação, crescimento acelerado das

importaçoes e estratégia de ganho de participação ajuda a explicar o

nível elevado de estoque. Quando há mais oferta do que o mercado

consegue absorver no mesmo ritmo, aumenta a pressão por ações

comerciais, descontos e condições de financiamento mais competitivas.

No curto prazo isso favorece o consumidor e eleva a concorrência, mas, se

persistir, pode pressionar margens e tambem ter efeitos sobre o valor

residual dos veículos", acrescenta Briganti.


Para Milad Kalume Neto,da K.Lume Consultoria, alem da redução do valor

residual dos veículos, há outra questão preocupante decorrente dos altos

estoques: "as chinesas precisarao de um pos-venda robusto para dar

conta de tantos carros vendidos".


Quinze marcas chinesas comercializam carros no Brasil atualmente - BYD,

Caoa Changan, Caoa Chery, Denza, Foton, GAC, Geely, GWM, JAC, Jetour,

Leapmotor, Lotus, MG Motor, Omoda Jaecoo e Zeekr -, e mais duas

chegarao na proxima, durante o Festival Interlagos.


Integrante do grupo Chery International, a iCaur estreara no mercado

nacional com o SUV elétrico V27, que oferece até 1.200 quilômetros de

autonomia e 405 cv de potência. A conterrânea Baic terá os modelos

Arcfox Tl e Arcfox T5.


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Oleh