Greve dos caminhoneiros teve impacto disseminado no varejo, nota IBGE


Oito das dez atividades pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no varejo ampliado venderam menos produtos na passagem de abril para maio deste ano, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira.

"A paralisação dos caminhoneiros gerou choque de oferta que atingiu o comércio de forma generalizada. Foi um choque de oferta que afetou preços e também as vendas, com destaque especial para as vendas de combustíveis e automóveis, pelo peso dos setores no comércio", disse Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE.

Com o desabastecimento de combustíveis nos postos pelo país, as vendas de combustíveis e lubrificantes recuaram 6,1% em maio, em relação ao mês anterior. Durante a paralisação, grandes filas se formaram nos poucos postos do país que tinham o produto. O abastecimento foi normalizado apenas no início de junho.

As vendas de automóveis, por sua vez, apresentaram queda de 14,6% entre abril e maio. Foi o pior resultado do setor desde abril de 2010 (-16,2%), de acordo com o IBGE. A paralisação dos caminhoneiros gerou paradas em montadoras e também indisponibilidade no transporte dos automóveis para as concessionárias.

Mas os efeitos da paralisação foram disseminados. Seja pela dificuldade de circulação de pessoas ou de mercadorias, houve recuo nas vendas de livros, jornais, revistas e papelarias (-6,7%), equipamentos e materiais para escritório e informática (-4,2%), tecidos, vestuário e calçados (-3,2%), móveis e eletrodomésticos (-2,7%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-2,4%) e material de construção (-4,3%).

Por outro lado, a única atividade que mostrou avanço na passagem de abril para maio foi a de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,6%), e as vendas de "outros artigos de uso pessoal e doméstico" ficaram estáveis entre os dois meses.

Em maio, as vendas no varejo cederam 0,6%. Incluindo veículos e material de construção, o varejo ampliado registrou baixa de 4,9% no período.

Supermercados 

Mesmo com o impacto da paralisação dos caminhoneiros sobre o abastecimento de produtos in natura, as vendas de super e hipermercados cresceram 0,6% de abril para maio.

O bloqueio de estradas por motoristas do transporte de cargas teve início em 21 de maio e durou 11 dias. No período da mobilização, o abastecimento de produtos hortifrutigranjeiros em supermercados foi um dos mais afetados, por serem perecíveis, como frutas e legumes.Isso chegou a provocar aumento de preços desses produtos no comércio, como sinalizou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo Isabella Nunes, gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, os consumidores provavelmente substituíram esses produtos in natura nos supermercados por alimentos industrializados, menos impactados pela crise de desabastecimento, compensando a receita dos estabelecimentos comerciais. "Os estoques de industrializados são refeitos de 15 em 15 dias", disse ela.

Isabella lembra ainda que os supermercados vendem itens de primeira necessidade. Portanto, mesmo com a dificuldade de circulação das pessoas por causa da escassez de combustíveis nas cidades, o deslocamento para compras de alimentos foi priorizado. "Famílias também compraram mais, para guardar produtos durante a greve, o que pode ter ajudado", disse ela.

Isso não significa, porém, que as vendas de hiper e supermercados não tenham sido influenciadas em nada pelas manifestações. O ritmo de vendas do setor perdeu fôlego em relação a abril, quando havia crescido 2% em comparação a fevereiro. "Todos os setores perderam fôlego em maio", disse Isabella.


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