Confiante, comprador de carro busca crédito


Entre 2014 e 2016 o consumidor protelou o sonho de trocar de carro. Mas o ambiente macroeconômico mais favorável, nos últimos meses de 2017, devolveu-lhe a confiança necessária para assumir dívidas mais longas, de três ou quatro anos. A busca por financiamento surpreendeu os próprios dirigentes de bancos de montadoras, que projetavam, no início do ano passado, aumento inferior a 10% no volume de recursos liberados pelo sistema financeiro para operações de CDC e leasing de automóveis e comerciais leves. Mas o crescimento chegou a 22,9%, num total de R$ 101,1 bilhões. "Foi uma grata surpresa", destaca o presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Luiz Montenegro.

A demanda por financiamentos ficou mais forte no fim do ano. Os gráficos com resultados de 2017, que serão divulgados hoje pela Anef, mostram que o volume mensal de recursos liberados para as operações com automóveis oscilou entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões ao longo de 2016 e no início de 2017. Gradativamente, passou para mais de R$ 8 bilhões e nos três últimos meses do ano passado ultrapassou os R$ 9 bilhões. O resultado de dezembro (R$ 9,8 bilhões) ficou 21,3% acima do mesmo mês em 2016. "O resultado funciona como um termômetro do potencial da demanda nos próximos meses", diz Montenegro.

A Anef estima um aumento de 15,1% no volume de recursos liberados este ano para o financiamento de veículos. Para o dirigente da entidade, a curva decrescente dos juros, já há algum tempo, e outros indicadores econômicos garantiram ao consumidor maior previsibilidade. Ele acredita que a partir deste ano, a fatia do financiamento nas vendas de veículos no Brasil começará, gradativamente, a crescer para, depois de 2018, retomar os níveis históricos, em torno de 60%. O pagamento à vista representava 38% das vendas de automóveis em 2014. Aumentou para 44% em 2016 e fechou o ano passado em 45%. Em 2017, a venda à vista foi registrada em 45% dos negócios realizados.

A participação do consórcio foi de 5% e a do leasing, 2%. Três fatores indicam a Montenegro que o crescimento da demanda de veículos e, consequentemente de crédito, seguirão crescimento sustentável nos próximos meses. "Há liquidez no mercado financeiro, o consumidor adquiriu capacidade de crédito e o humor dele também melhorou". Em 2017 foram vendidos no Brasil 2,1 milhões de automóveis e comerciais leves, um avanço de 9,4% na comparação com 2016. Outro sinal de que a retomada da economia se reflete na expansão dos financiamentos de veículos vem do mercado de motocicletas. No ano passado, o consórcio deixou de ser a modalidade de compra mais usada nesse segmento. As vendas financiadas passaram à frente e responderam por 38% dos negócios, os consórcios por 32% e as vendas à vista por 30%.

"A dificuldade na comprovação de renda era o que levava o consumidor para o consórcio. Mas agora ele começa a se qualificar para ter mais crédito", destaca. Montenegro acredita que a tendência de queda na taxa básica de juros vai se manter por pelo menos mais dois trimestres. O período de eleições não o preocupa. "Desde o ano passado a política monetária foi apartada de qualquer turbulência política e os fundamentos macroeconômicos têm sido mantidos", destaca. Segundo ele, a Anef não identifica riscos ao crescimento econômico "seja quem for o presidente eleito". Mas o quadro para 2019, quando o novo governante tomará posse, vai requer uma nova análise, afirma.

Fonte: http://www3.fenabrave.org.br:8082/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=11178&cdcategoria=1&layout=noticias

Veja Também:

Confiante, comprador de carro busca crédito
4/ 5
Oleh